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Esperança e tratamento da Atrofia Muscular Espinhal: uma mudança de paradigma

A atrofia muscular espinhal (AME) é uma doença de caráter familiar que se apresenta na infância, causada por uma alteração no cromossomo 5, e leva à fraqueza de braços e pernas, e a dificuldades para se alimentar e respirar. Entretanto, as crianças afetadas são inteligentes, e enxergam e ouvem normalmente. Na AME, pai e mãe são portadores da doença, mas não apresentam sintomas. Desta forma, o casal tem um risco de 25%, a cada gravidez, de gerar um filho afetado. A AME é classificada em três tipos, conforme a idade de surgimento do quadro clínico: tipo I – antes de seis meses; tipo II -- entre seis meses e dois anos; tipo III -- após dois anos. Há controvérsias a respeito de uma forma tipo IV, que surge após vinte anos de idade, mas é possível tratar-se de uma outra doença. No tipo I, o bebê é “mole” e não adquire a capacidade de se sentar sozinho; no tipo II, a criança consegue se sentar, mas tem dificuldades para manter-se em pé; no tipo III, a criança, que já ficava em pé, passa a ter dificuldade para caminhar. Na forma mais grave da AME (tipo I), o paciente passa a necessitar do auxílio de aparelhos para respirar, e a apresentar engasgos freqüentes, fazendo com que utilize sonda para alimentação. Geralmente, esta sonda é posicionada no estômago por meio de um procedimento chamado de gastrostomia; e para auxiliar no manuseio de ventiladores mecânicos (aparelhos para respiração) é realizado um outro procedimento chamado de traqueostomia. Estes recursos melhoraram recentemente o prognóstico da doença, que, antes considerada fatal, está se tornando crônica. Nas outras formas, a criança pode necessitar de aparelhos para locomoção, ou cadeira de rodas.

O diagnóstico é dado, além do quadro clínico, pelo exame de DNA específico para a doença. Nestes pacientes, os exames de eletroneuromiografia e de biópsia muscular devem também ser realizados nos pacientes com DNA positivo, para complementação do diagnóstico. Após isto, é feito o aconselhamento genético dos pais.

Embora até o momento ainda não haja cura para a AME, os vários tratamentos em conjunto descritos acima permitem uma melhor qualidade de vida e um aumento significativo da sobrevida dessas crianças. Assim, um suporte clínico e emocional à criança, envolvendo ampla dedicação dos profissionais de saúde e da família, é de fundamental importância. Um menor tempo de hospitalização e a manutenção dessas crianças no lar acompanhadas com o carinho da família e utilizando modernos equipamentos e medicamentos tem constituído um novo paradigma no tratamento desta doença em nosso meio. O diagnóstico precoce da AME através dos exames de biologia molecular que será realizado em breve no Laboratório de Genética Molecular também em muito contribuirá neste aspecto. Finalmente, as pesquisas com células-tronco abrem uma perspectiva fantástica de tratamento e cura da AME, que esperamos que se concretizem o mais breve possível num futuro próximo.

Bianca Silva
- Neuropediatra – Especialista pela Sociedade Brasileira de Pediatria e Academia Brasileira de Neurologia

Krishnamurti de Morais Carvalho
- Professor Titular da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual do Ceará
-
Pós-Doutorado em Biologia Molecular Humana pela Université Pierre et Marie Curie, Paris, França
-
Diretor do Laboratório de Genética Molecular Médica do Instituto de Ciências Biomédicas da UECE

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