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Numerosas doenças, das mais diversas etiologias, manifestam-se
por hipotonia ou por atraso no desenvolvimento psicomotor.
As lesões da ponta anterior da medula, dos nervos periféricos,
das placas mioneurais e as musculares, conhecidas em conjunto
pelo nome de distúrbios neuromusculares, estão
entre estas doenças.
As Atrofias Musculares Espinhais (AME) têm origem genética
e caracterizam-se pela atrofia muscular secundária
à degeneração de neurônios motores
localizados no corno anterior da medula espinhal. A AME, a
segunda maior desordem autossômica recessiva fatal,
depois da Fibrose Cística (1:6000), afeta aproximadamente
1 em 10.000 nascimentos , com uma freqüência de
doentes de 1 em 50 portadores. Casais que tiveram uma criança
afetada têm 25% de risco de recorrência em cada
gravidez subseqüente.
Os caracteres autossômicos recessivos são transmitidos
por ambos os progenitores. Nos casamentos consangüíneos,
há uma probabilidade maior de nascerem filhos com caráter
recessivo, pois indivíduos aparentados têm maior
probabilidade do que os não parentes de serem heterozigotos
para o mesmo gene mutante. Desta forma, há uma proporção
maior de casamentos consangüíneos entre os progenitores
de afetados por um caráter recessivo, do que entre
progenitores de pessoas normais
Hipotonia, paralisia, arreflexia, amiotrofia e miofasciculação
constituem os sinais definidores das AMEs, doenças
autossômicas recessivas ligadas ao cromossoma 5, relacionadas
ao gene SMN. São subdivididas em três grupos
de acordo com a idade de início e evoluem tão
mais rapidamente quanto mais cedo começam.
O grupo I (doença de Werdnig-Hoffmann) pode se manifestar
desde a fase intra-útero até os 3 meses de vida
extra-uterina. Durante a gravidez verifica-se pouca movimentação
fetal e o recém-nascido apresenta fraqueza acentuada
das musculaturas proximal e intercostal. A postura é
bem diferente daquela esperada para um neonato sadio: as pernas
estão estendidas, em abdução e rotação
externa, os membros superiores ficam largados (postura em
batráquio). O tórax é estreito e geralmente
há pectum excavatum. Tem dificuldades de sucção,
de deglutição e respiratórias. As infecções
respiratórias se repetem, sendo a causa do óbito
na maioria dos casos.
Nos grupos II e III os sintomas se manifestam entre 3 e 15
meses e de 2 anos a vida adulta, respectivamente. O quadro
clínico caracteriza-se por deterioração
motora após um período de desenvolvimento aparentemente
normal. Na forma tipo II, ou forma intermediária, a
criança adquire a habilidade de sentar mas tem uma
parada do desenvolvimento motor a partir deste marco. A forma
tipo III ou forma juvenil ou doença de Wolfhart-Kugelberg-Welander
começa normalmente a dar os primeiros sinais de fraqueza
depois de 1 ano de idade ou até mais tarde. De maneira
lenta a fraqueza nas pernas faz com que as crianças
caiam mais, tenham dificuldade para correr, subir escadas
e levantar do chão. Também aparece fraqueza
nos ombros, braços e pescoço. Às vezes
a doença é confundida com Distrofia Muscular.
A fraqueza aumenta com o passar dos anos e a cadeira de rodas
se torna necessária em algum momento na vida adulta.
Os sinais da doença são menos proeminentes e
a progressão mais lenta, sendo que deformidades ósteo-articulares,
principalmente escoliose, aparecem à medida que o curso
se prolonga. Há outras formas, variantes da AME, sem
um padrão perfeitamente definido de herança,
de comportamento clínico heterogêneo eventualmente
associado a outras manifestações.
Todas as três formas acima não têm cura
definitiva. No entanto a fisioterapia, os bons cuidados no
acompanhamento clínico e alguns aparelhos ortopédicos
ajudam a manter a independência destas crianças,
a função de seus músculos e a integridade
física e mental.
O pediatra tem uma importância fundamental. Cabe a
ele reconhecer que uma criança está com problemas,
ou por ser hipotônica, ou por ter pouca movimentação
espontânea, ou por estar atrasada em algum marco do
desenvolvimento. Quanto mais cedo o reconhecimento, mais precoce
será o encaminhamento ao especialista certo, mais rápido
o diagnóstico e mais eficaz a terapia de suporte que
podemos oferecer.
A realização do diagnóstico não
deve afastar o pediatra de seu paciente. Mais do que nunca
a paciente e sua família precisam de um apoio para
as eventuais complicações clínicas associadas
a esta doença. Além disto, a criança
continua sendo criança, com as necessidades de puericultura
inerentes a sua faixa etária.
As doenças neuromusculares, caracterizam-se por situações
decorrentes de problemas localizados na ponta anterior da
medula, nos nervos periféricos, nas placas mioneurais
ou nos músculos. As atrofias Musculares Espinhais e
as Distrofias Musculares são exemplos de doenças
neuromusculares de origem genética. Não raro
ocorre confusão em relação a estes dois
diagnósticos. O link Atrofias
x Distrofias é um resumo comparativo entre estas
duas doenças. São ressaltados os aspectos típicos
que as diferenciam. Convém esclarecer que nem sempre
todas as características típicas serão
encontradas, pois estas dependem do estágio da doença
que cada indivíduo se encontra ao ser avaliado.
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Como funciona o Sistema Nervoso Motor?
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Quadro comparativo de AE e distrofia muscular.
Clique aqui. |
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Esperança e tratamento da Atrofia Muscular Espinhal:
uma mudança de paradigma
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