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O recente encontro ocorrido nos Estados Unidos, patrocinado
pela FSMA, abordou como tópicos os principais aspectos
relacionados ao entendimento dos eventos biológicos
e bioquímicos que, a partir do problema genético,
levam aos sintomas da doença; formas de mensurar a
progressão da doença e atualização
sobre as fases das pesquisas com tratamentos em potencial.
Na parte profissional deste encontro, a maioria dos presentes
era composta de pessoas dedicadas às pesquisas em laboratório.
Da pesquisa básica, com células e modelos animais
resultam os maiores avanços na compreensão da
doença. A regulação da expressão
da atividade do gene SMN2 foi um dos aspectos expostos: ela
é regulada para mais por algumas substâncias
(no presente evento os oligonucleotídeos e o AMPc foram
abordados, além dos medicamentos em teste) e para menos
ou silenciada por outras (metilação).
O silenciamento explicaria o fato de pessoas com
o mesmo número de cópias de SMN2 apresentarem
gravidades diferentes.
O papel da proteína SMN também foi bastante
explorado. Sabe-se que esta proteína é encontrada
em todas as células e é fundamental para a viabilidade
das mesmas, com um papel mediador na produção
de outras proteínas. Existe um limite inferior a partir
do qual a diminuição dos níveis de SMN
repercute nestes mecanismos comprometendo o bom funcionamento
da célula. No neurônio (célula nervosa)
a proteína SMN estimula o desenvolvimento dos prolongamentos
naturais desta célula (axônios) e tem um papel
de auxiliar o transporte de substâncias pelo axônio
e dendritos. As células tronco (projeto RESTORE) têm
ajudado na compreensão dos fenômenos envolvidos
na doença. Observa-se uma redução do
número de mitocôndrias ao longo dos axônios.
Dos trabalhos com ratos de laboratório já
sabemos que:
- No rato uma diminuição abaixo de 25 % de
SMN ocasiona as alterações características
da AME.
- No modelo animal de AME grave não se observa a
morte do motoneurônio do corno anterior
conforme se supunha. O que se postula é que ocorram
alterações funcionais que levam ao processo
de degeneração da periferia deste neurônio
ao seu corpo celular.
- A determinação do momento em que os primeiros
efeitos da doença são observados ajuda na
compreensão dos mesmos, mas também indica
o melhor momento de intervir com tratamentos.
Dos ensaios clínicos, testes em humanos, as informações
foram as seguintes:
- Fenilbutirato precoce e triagem neonatal. Em 14 crianças
diagnosticadas nas primeiras semanas de vida e tratadas
com fenilbutirato tiveram uma evolução melhor
que outras vistas no passado e não submetidas a este
tratamento. Este resultado sugere que o rastreamento ao
nascer possa contribuir com um tratamento mais precoce e
mais eficaz. No entanto, mesmo quando a intervenção
ocorre em momento pré-sintomático ainda ocorre
progressão da doença.
- Hidroxi-uréia e ácido valpróico estão
na fase final de avaliação dos pacientes incluídos
e como os pesquisadores ficam cegos ao tratamento
do paciente (não sabem se a pessoa que estão
avaliando está usando o tratamento de teste ou o
que não tem efeito placebo). Os resultados
finais devem estar sendo divulgados no início do
ano que vem.
Novos tratamentos
- As células tronco estão ajudando a testar
novos medicamentos, comparando-se as células doentes
com as sadias e as modificações que ocorrem
quando estas células doentes são expostas
a diferentes substâncias.
- Novas substâncias tem sido identificadas
com a propriedade de forçar o gene SMN 2 a produzir
a proteína SMN de forma adequada (Exemplo PTC 124)
- PAR 123, análogo da tetraciclina também
força o gene a produzir a proteína integral
- Medicamentos testados em ratos: valproato, hidroxi-uréia,
fenilbutirato, litium, nemantadina, l-carnitina, roliparam,
nicotinamida, piridostigmina, pioglitazona, troglitazona,
bortezemida, resveratrol, erlotiniba, tiazoldenediona, tricostatin-A
e salbutamol.
- As novas drogas, antes de serem usadas em testes com seres
humanos (fase 1 ou de toxicidade) tem que ser liberadas
pelo FDA para isto.
As pesquisas de desenvolvimento de novas drogas para Ame
custeadas pela FSMA, através da empresa química
deCODE, chegaram a uma nova substância em potencial.
Agora a FSMA está atuando no sentido de aprovar pelo
FDA (órgão regulador americano para remédios,
semelhante a nossa ANVISA) que pesquisas iniciais com seres
humanos possam ser iniciadas. As pesquisas iniciais serão
de testes de segurança com esta substância (avaliação
dos efeitos colaterais) para só depois iniciar os de
eficácia.
Texto:
Dra. Alexandra Prufer de Araújo Neuropediatra
e Pesquisadora de Atrofia Muscular Espinhal
Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ
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